segunda-feira, 29 de junho de 2009

A escolha é do PT, não é nossa, diz Requião

O governador Roberto Requião voltou a afirmar nesta segunda-feira que não admite que o PT pressione o PMDB para apoiar a candidatura do senador Osmar Dias à sua sucessão. Ao participar da homenagem prestada pela Associação das Empresas da Cidade Industrial de Curitiba ao vice-governador Orlando Pessuti, no Graciosa Country Clube, Requião reafirmou que “o candidato do PMDB é o Pessuti, então não há conversa possível”.

-- Nós temos candidato. A escolha é do PT, não é nossa mais. Nós já decidimos a nossa situação, enfatizou o governador.

Requião disse que quer uma aliança com o PT porque “é uma aliança boa”. Mas nem por isso admite o que o PT quer, ou seja, que ele “renegue tudo aquilo que me levou a fazer política: a defesa dos interesses populares, defesa da cidadania, respeito aos movimentos sociais, política de estimulo aos pequenos empresários, rejeição ao pedágio”.

-- Ficaria muito ruim para mim renegar tudo que me levou ao governo do Estado. Nem meus filhos me respeitariam mais, disse Requião.

Segundo o governador, o PMDB deseja uma aliança “com todos os partidos que têm esta visão desenvolvimentista do Paraná, que queiram ver o Estado crescendo, que concordem com o aumento do salário mínimo dos trabalhadores, essas coisas que estão garantindo a situação privilegiada do Paraná em meio a esta crise que o País atravessa”.

Requião não quis comentar a divisão existente no PMDB, já que uma ala defende uma aliança com o PSDB.

Preferiu ironizar.

-- Sempre existe. Em qualquer partido tem desvios pela direita, desvios pela esquerda, e tem uma parte que quer trabalhar com o PSOL, brincou.

Apoio a Pessuti
Requião disse, há algum tempo, que o candidato para ter o seu apoio teria que assumir algumas condições que considera essenciais para dar continuidade as ações de seu governo.

Para ele, Orlando Pessuti tem seu apoio porque assume essas bandeiras até porque, como vice-governador, nunca contrariou uma política de seu governo.

O que falta, agora, “é transformar isso em programa de campanha”.

-- São as políticas populares, as políticas sociais, a garantia de isenção para a micro e pequena empresa, fundo de aval, as políticas que fizeram que fizeram o Paraná crescer 4.1 enquanto o Brasil perdeu 10% de sua produção industrial. Foi o único Estado do Brasil que apresentou um crescimento. Todos os outros tiveram perdas, comparou.

Ato secreto
O governador Roberto Requião ironizou aqueles que dizem que ele se “beneficiou” com ato secreto quando era senador.

-- Que beneficio bacana este... eu exonerei o Mauricio (seu irmão, Mauricio Requião) porque ele não podia mais trabalhar, comuniquei à mesa dizendo que ele não recebia mais. Agora estou achando genial o Ministério Público dizer que vai anular todos os atos secretos. Então o Mauricio tem 12 anos de salários para receber. É ridículo, provocou.

Crise do Senado
Questionado sobre a crise que vive o Senado, o governador Roberto Requião afirmou que na sua época “não havia nada disso”.

-- Quando eu estava por lá o Senado era outro. Vocês têm que perguntar para o Alvaro, para o Osmar e para Flavio Arns, sugeriu aos jornalistas.

Pessuti, o Plano B do PT
A cúpula do PT paranaense admite que, se as conversas com o senador Osmar Dias não evoluírem, a opção do partido passa a ser a candidatura do vice-governador Orlando Pessuti à sucessão do governador Roberto Requião.

Foi nesta segunda-feira, quando os petistas estiveram reunidos com lideranças do Partido Progressista.

Segundo o presidente do PP, deputado Ricardo Barros, o PT insiste em fazer uma aliança com todos os partidos que compõem a base do governo Lula no Congresso Nacional, o que inclui PP, PDT, PMDB, PTB, PR, PC do B, PSC e PSB, o que daria 70% do tempo nos programas eleitorais no rádio e na televisão.

Na conversa com o PT, o PP reivindicou uma aliança também às eleições proporcionais e uma das candidaturas do Senado, que seria a de Ricardo Barros.

Sem emoções
O presidente do PP, Ricardo Barros, avaliou a que a conversa com a cúpula petista (estavam lá a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, o secretário do Planejamento, Enio Verri, o deputado federal Dr. Rosinha, e o deputado estadual Elton Welter) foi “boa, franca, sem meias palavras”.

-- Foi uma conversa tranqüila, sem emoções, resumiu.

Não é por aí
Pré-candidato ao Senado, o deputado Ricardo Barros não escondeu sua contrariedade com a notícia que o presidente Lula quer que o PT priorize no Paraná a eleição para o Senado.

Uma forma de não deixar a ministra Dilma Roussef refém da oposição, caso ela vença as eleições.

-- Se o PT pensa que vai resolver o problema desta maneira está enganado porque sozinho o PT não fará 41 senadores, aposta Barros.

Não acaba tão cedo
Vice-líder do governo Lula na Câmara Federal, o deputado Ricardo Barros tem certeza que a crise no Senado não acaba tão cedo.

-- Tem muita coisa a ser revelada ainda, diz.

Em todo caso, Barros não acredita que a crise derrube seu presidente, José Sarney.

-- Ele é muito experiente e tem a capacidade de perceber e dar o passo certo, acredita.

Toledo, território de Osmar
Uma pesquisa de opinião pública realizada na cidade de Toledo pela Paraná Pesquisa mostra que se as eleições fossem hoje a cidade elegeria o senador Osmar Dias como sucessor do governador Roberto Requião.

Numa disputa com o prefeito Beto Richa, Osmar teria 59,21% dos votos contra 21,75% de Richa. O vice-governador Orlando Pessuti seria o terceiro, com 6,04%.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, teria 3,47% dos votos.

Numa disputa com o senador Alvaro Dias, a diferença seria menor. Osmar teria 45,17% e Alvaro, 34,74%. Pessuti teria 7,25% e Paulo Bernardo, 4,53%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 21 de junho, ouvindo 662 eleitores (margem de erro de 4%).

Requião lidera corrida ao Senado
O governador Roberto Requião é o franco favorito para a disputa pelo Senado em Toledo.

Se as eleições fossem hoje, ele teria 63,14% dos votos. A petista Gleisi Hoffmann vem em segundo, com 31,57%. Ricardo Barros, do PP, teria 16,31%; Gustavo Fruet, do PSDB, 13,75%; Abelardo Lupion, do DEM, 6,95%; e o ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, do DEM, 3,93%.

Serra é favorito
Na disputa pela sucessão do presidente Lula, o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, é o favorito dos eleitores de Toledo.

Segundo a Paraná Pesquisa, o tucano teria 53,02% dos votos contra 14,05% da ministra Dilma Roussef, do PT. O deputado Ciro Gomes, do PSB, teria 12,69% e a ex-senadora Heloisa Helena, do PSOL, 7,55%.

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